Tuesday, August 7, 2007

II Encontro Vale do Rossim

Porque a partilha traz sempre algo mais e porque o mundo visto aos olhos de outras pessoas é sempre diferente e novo...



http://encontrofotografico.freehostia.com/


Monday, August 6, 2007

Palavras que ficam por dizer...

Estou sem palavras...

Tudo o que me apetece dizer é tudo aquilo o que tenho para dizer, mas não tenho com quem partilhar. Quem as poderia ouvir e achar o sentido nelas que eu tanto sinto não está, não as posso dizer. Refugio-me uma vez mais em mim, no meu quotidiano, no meu "não eu". Fico sem direcção, sem saber o rumo que hei-de seguir, mesmo embora tendo um, não me sei guiar.

Tenho palavras afinal, mas sem as poder dizer... Faz-me falta sentir, mas não sei como... Falto eu...

Por isso escrevo, mas nem a escrever consigo tirar de mim este vazio, por isso deixo imagens, fotografias que me fazem sentir... E deixo também palavras de outros... Quero dar-me um rumo, mesmo arriscando já ter virado o leme para o oceano errado, por enquanto vou navegar sozinho, no meu barco, na minha imensidão.

Volto ao meu blog, preciso de desabafar...



Costa Alentejana (Road Trip 2007)

"Fotografar é uma operação progressiva da cabeça, do olho e do coração para exprimir um problema, fixar um evento ou impressões. Um evento é tão rico que se dá voltas em torno dele enquanto se desenvolve. Procura-se a sua solução. Às vezes encontra-se em alguns segundos, às vezes ela exige horas ou dias; não existe solução; nada de receitas; é preciso estar pronto, como para o ténis. A realidade oferece-nos uma abundância tal, que devemos cortá-la ao vivo, simplificar, mas corta-se sempre o que é preciso cortar? É necessário alcançar, trabalhando, a consciência do que se faz. Algumas vezes, temos a impressão que tirámos a fotografia mais forte e, contudo, continuamos a fotografar, sem poder prever com certeza como o evento se continuará a desenvolver. Será preciso evitar metralhar, fotografar rápido e maquinalmente, sobrecarregando-se assim de esboços inúteis, que entulharão a memória e perturbarão a nitidez do conjunto."

Henri Cartier-Bresson, in "O imaginário segundo a Natureza"

Wednesday, April 4, 2007

De um relvado em zona arco-íris até um nascer do sol Ben Leezado num Jazz

À muito tempo que não acompanhava as posições da lua à noite no céu, à muito tempo que não via uma estrela cadente e à muito tempo que não via um nascer do sol de dentro de um Jazz... À muito tempo que não me sentia a nascer com o sol...

E porque a noite nos atrai sempre e os nossos passos caminham sempre em direcção a ela, porque nela cada letra de uma canção faz nascer uma estrela e cada estrela nos faz lembrar que há-de sempre existir alguém de braços abertos com quem podemos contar...

Para mim foi mais um nascer do sol que traz consigo as mesmas incertezas da minha vida, mais dúvidas, algumas delas reforçadas, algumas delas que fazem desejar parte de nós voltar atrás...

Pergunto-me onde foi aquela estrela cadente... Seria alguém a voltar atrás no tempo e a aproveitar tudo aquilo que não aproveitou? Ou alguém a libertar-se de tudo aquilo que a prende e a seguir aquilo que para ela é verdadeiro e que chama por ela todos os dias?

As pessoas são como a lua, têm fases, a minha próxima fase vai ser passada sentado num quarto minguante a pescar respostas, é uma fase recorrente, é uma fase que me acompanha desde sempre, umas vezes com mais frequência que outras, ultimamente parte de mim inconscientemente nem consegue fugir desta fase!

Sei que dentro de mim existe um Eu, só não sei se é esse Eu que estou a ser...

Monday, March 26, 2007

Ter tempo para a eternidade

"Porque o que é imutável encerra o perigo do eterno, e só os deuses têm tempo para a eternidade" - Luís Sepúlveda

A cada leitura deste livro encontro uma passagem nova que me deixa maravilhado, o que me faz pensar que depende do estado de espírito em que nos encontramos, as passagens estão lá, só que a cada leitura do livro tocam-me aquelas que estão mais de acordo com o meu eu nessa altura... Seria bom ter tempo para reler todos os meus livros preferidos, mas isso seria acrescentar mais uma coisinha à lista dos pendentes!

Estou ansioso pelo regresso das tardes quentes de verão, em que (em dias de pouco stress de trabalho) me posso sentar um pouco num banco de jardim ou num final de tarde na praia apenas para ler um livro e deixar o tempo passar, como se o tempo abundasse, como se pudesse dar-me ao luxo de fazer com ele aquilo que eu quisesse, como se o tempo nunca acabasse e eu pudesse ler, escrever, fotografar, passear, contemplar fins de tarde na adraga, ter tempo para pensar, para escolher...



...E por razões que não consigo explicar o meu post quebra aqui...

Wednesday, March 21, 2007

Dia Mundial da Poesia

Não podia deixar passar o Dia Mundial da Poesia sem colocar aqui os meus dois poemas preferidos do meu poeta preferido: Eugénio de Andrade.


Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

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São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade